Fizeram-me esta pergunta esta semana. E eu juro que a resposta não é nada fácil de encontrar. Não foi, até agora, e não sei se será daqui pra frente. De fato, a vida nos dá muitos “nãos” e alguns “talvez” que não são bolinho!
Começa na infância. Os “nãos” do pai e da mãe. E são necessários, claro. O problema destas respostas da infância, é que elas simplesmente não tem explicação. Algumas vezes porque nós não entenderíamos mesmo, outras vezes porque a mãe está ocupada, o pai cansado e é só "não". Isso me lembra um quadro do “Castelo Ra-tim-bum”, onde Marcelo Taz respondia às dúvidas das crianças “porque não não é resposta”. De fato, não é mesmo.
Quando alguém termina um relacionamento com você, tudo o que você quer (e precisa) são de explicações. Às vezes a pessoa até tenta, passa vinte horas explicando que é isso ou aquilo, que não é você é ele, e tudo mais. Mas não adianta porque, para quem ama, isso não explica nada. O "não" reverbera por anos na nossa mente, completamente sem explicação. E quando tem uma explicação, como o fim do amor ou uma outra pessoa, mesmo assim, não se entende o "não". Mesmo assim nos perguntamos “o que fizemos de errado”?
No trabalho, o "não" de um cliente, às vezes é só um "não". Algumas vezes a pessoa não está a fim de comprar, está sem dinheiro ou simplesmente não achou a coisa interessante. E a gente se frusta pensando, novamente, mas o que eu fiz de errado?
Interessante porque, para os "nãos" da vida, a culpa parece ser sempre nossa.
Isso mostra a nossa necessidade de controle, o nosso medo de estar nas mãos dos outros. Não basta ter um bom produtos, é preciso vender. Não basta ser uma pessoa legal, é necessário que o outro se apaixone, te ame e queira dividir a vida com você o que, muitas vezes, são coisas bem separadas. Não está nas nossas mãos tudo o que nos acontece, algumas vezes a inteligência que é a vida nos tira algo porque, sim!
E aí é que entra o nosso livre arbitrio, nossa decisão. Será que eu não ligo mais pra nenhum cliente por medo dele não comprar nada? Será que eu devo aposentar o meu lado amoroso e nunca mais me apaixonar, por medo de levar um ‘não imagine que eu te quero mal, apesar não te quero mais”? Não me parece a melhor solução. Mesmo porque isso são as nossas experiências, é isso que nos fará evoluir como seres humanos encarnados que somos. É preciso saber ouvir o não.
O "não" frusta, machuca, mutila algumas vezes. Nos trás para o pior de nós ou para o melhor, dependendo das nossas escolhas. O que escolheremos depois de levar um fora da pessoa que parecia perfeita? O que escolheremos diante de uma pilha de produtos sem dono? O que escolheremos dizer quando te pedirem algo impensável? Quais os "nãos" que precisam ser ditos e quais precisam ser ouvidos?
Talvez com menos "nãos" na infância você fosse uma pessoa melhor. Ou pior. Quem é que sabe? Se os pais não nos dão os “nãos” a vida se encarrega disso e, muitas vezes, fica bem mais complicado. Então,não dá pra ignorar, é preciso olhar pra cada um deles e saber o que eles te fazem sentir. Largar o mimo, ou o desejo de ser mimado pela vida. A vida não mima ninguém, esquece! E enquanto for necessário ela vai te dar os “nãos” dos quais você necessita.
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