Recebi um email da PaperView (que eu já falei aqui) contando que agora eles tem chancelas, ou seja, aqueles tipo de carimbo que faz uma marca d´água na papelaria. E, claro, entrou pro meu rool de "tem que ter" porque é fofo, lindo e a minha cara!
Fala sério! Coisa de Phina!!!
23 de jun. de 2012
22 de jun. de 2012
Verdade x ilusão
"A dor aparece para quebrar a barreira das nossas ilusões" - Zibia Gasparetto
Temos medo da verdade. Apesar de sabermos que ela é sempre a melhor opção, que a ilusão sempre vai ferrar com a gente, ainda assim, morremos de medo da verdade. Arrume uma injeção, uma turbulência, uma dengue. Mas não me venha com essa tal de verdade colocando abaixo todas as ilusões que eu criei, às vezes durante anos e anos.
Uma noite destas eu tive um sonho. Eu estava na Coréia (estranho) em uns prédios altíssimos. Para vocês terem uma ideia era um prédio de 1.390 andares! E eu lá, na cobertura do prédio. De repente começou um vendaval, muito forte. Na verdade, pensando agora, nem parecia tão forte assim. Eu sabia que toda a minha família estava dentro do prédio. Os prédios (eram vários iguais, todos cheios de vidros) começaram a balançar também. Eu corri pelas escadas abaixo e consegui sair do prédio, assim como a minha família. Mas eles desabaram todos. No sonho eu me perguntava porque os construtores não tinham feito uma base melhor para os prédios .
Comparado à minha vida, tudo a ver. Há alguns meses (ou semanas, ou dias, não sei) descobri em mim uma verdade e, consequentemente, destrui uma imensa ilusão. Sim, destas grandes, de 1.390 andares, 20 torres, todas lindas, cheias de vidros emoldurados. Uma ilusão daquela que leva a sua vida para um buraco enorme e faz você repetir os padrões, repetir e repetir. E. vou falar, não está sendo nada fácil!
Ainda não posso dizer que me recuperei do tombo. Porque não é um tombo de uma coisa específica, foi uma ilusão generalizada, por assim dizer. Eu criei uma fantasia na minha mente, que possivelmente já nasci com ela, e acreditei nela por anos a fio. E, um dia, eu olhei e nada daquilo estava lá. Mas isso, só depois de levar muita, mas muita porrada.
E aí, sincronicidade ou não, chego na minha aula de espiritualidade semanal e qual e o tema? A verdade. Deixar o ego para lá e olhar para o real. Só aí é que eu vi o porquê disso ser tão díficil.
Dá depressão, credo. Sério. Dá uma tristeza tão profunda. Parece que é a última tristeza da sua vida. Acredito que o que eu achei na minha vida é um núcleo de várias coisas.E sim, eu pedi muito pela verdade. E ela apareceria, mais cedo ou mais tarde. Resisti à verdade, briguei com ela, xinguei, mas não teve jeito. A vida sempre ganha.
Sim, nós nos apegamos às ilusões. Nos apegamos porque elas são tão confortáveis, tão bonitas. Dentro da minha mente eu posso inventar o que eu quiser. Posso inventar que coisas que não são, agora são. Posso inventar que tudo o que me incomoda, na verdade, não existe, nunca existiu. Posso criar uma imensa fantasia ao redor de pessoas, de fatos, de coisas. Posso não olhar para frente com os olhos neutros e, assim, não conseguir mudar o que é preciso mudar. Posso olhar para trás com dor, achando que todo o mundo só queria me magoar.
Não, ninguém queria te magoar. As pessoas só estão também presas nas ilusões delas e, muitas vezes, carregam você para dentro da delas. É como a história das sereias, que encantam seus marinheiros com sua voz macia e suave. Vão seduzindo e os carregando para a morte. A morte da ilusão. O desabar dos prédios que criamos somente na nossa mente, na nossa fantasia.
Somos facilmente seduzíveis quando estamos nessa ilusão sobre a vida. Qualquer pessoa ou situação pode usar artimanhas e nos levar para onde precisa. Possivelmente para dentro das ilusões delas mesmas. E, um dia, você vê que não era bem assim. "Que o que foi prometido, ninguém prometeu", como diria Renato Russo. Você acreditou, viu, sentiu as coisas como queria. Sentiu o que queria, acreditou no que queria, foi feito de você o que você imaginava. E a realidade? Ficou lá, jogada às traças, perdida num monte de entulho, fingindo que não existia.
Sim, ela observa. A verdade te observa de soslaio, quieta e quase inerte de um canto, só esperando o momento certo de agir, o momento certo de aparecer. Você sente essa ameaça o tempo todo, mas não sabe de onde vem e nem o que fazer e aí, pronto. Já foi. Ela passa violenta por você.
Ainda estou me recuperando. Estou muito melhor, é verdade, mas sinto ainda uma profunda tristeza. Estou me deixando ser e estar triste, não estou mascarando, novamente, a tristeza. Não quero mais esconder meu rosto neste grande baile de máscaras que é a vida. Mas sei que muitas coisas e pessoas ainda serão mascaradas. Só cabe a mim acreditar só em mim mesma, e na minha verdade. Posso ter parcerias, mas não dependencias. Posso ter amizades, mas nenhum parente, amigo, amor, nada é mais forte e mais importante do que eu mesma. Descobri a necessidade de um amor próprio muito maior do que eu vinha tendo até então.A minha verdadeira essência de Deus. E isso, meus amigos, é a cura na sua forma mais pura. A cura de (quase) todas as ilusões.
Temos medo da verdade. Apesar de sabermos que ela é sempre a melhor opção, que a ilusão sempre vai ferrar com a gente, ainda assim, morremos de medo da verdade. Arrume uma injeção, uma turbulência, uma dengue. Mas não me venha com essa tal de verdade colocando abaixo todas as ilusões que eu criei, às vezes durante anos e anos.
Uma noite destas eu tive um sonho. Eu estava na Coréia (estranho) em uns prédios altíssimos. Para vocês terem uma ideia era um prédio de 1.390 andares! E eu lá, na cobertura do prédio. De repente começou um vendaval, muito forte. Na verdade, pensando agora, nem parecia tão forte assim. Eu sabia que toda a minha família estava dentro do prédio. Os prédios (eram vários iguais, todos cheios de vidros) começaram a balançar também. Eu corri pelas escadas abaixo e consegui sair do prédio, assim como a minha família. Mas eles desabaram todos. No sonho eu me perguntava porque os construtores não tinham feito uma base melhor para os prédios .Comparado à minha vida, tudo a ver. Há alguns meses (ou semanas, ou dias, não sei) descobri em mim uma verdade e, consequentemente, destrui uma imensa ilusão. Sim, destas grandes, de 1.390 andares, 20 torres, todas lindas, cheias de vidros emoldurados. Uma ilusão daquela que leva a sua vida para um buraco enorme e faz você repetir os padrões, repetir e repetir. E. vou falar, não está sendo nada fácil!
Ainda não posso dizer que me recuperei do tombo. Porque não é um tombo de uma coisa específica, foi uma ilusão generalizada, por assim dizer. Eu criei uma fantasia na minha mente, que possivelmente já nasci com ela, e acreditei nela por anos a fio. E, um dia, eu olhei e nada daquilo estava lá. Mas isso, só depois de levar muita, mas muita porrada.
E aí, sincronicidade ou não, chego na minha aula de espiritualidade semanal e qual e o tema? A verdade. Deixar o ego para lá e olhar para o real. Só aí é que eu vi o porquê disso ser tão díficil.
Dá depressão, credo. Sério. Dá uma tristeza tão profunda. Parece que é a última tristeza da sua vida. Acredito que o que eu achei na minha vida é um núcleo de várias coisas.E sim, eu pedi muito pela verdade. E ela apareceria, mais cedo ou mais tarde. Resisti à verdade, briguei com ela, xinguei, mas não teve jeito. A vida sempre ganha.
Sim, nós nos apegamos às ilusões. Nos apegamos porque elas são tão confortáveis, tão bonitas. Dentro da minha mente eu posso inventar o que eu quiser. Posso inventar que coisas que não são, agora são. Posso inventar que tudo o que me incomoda, na verdade, não existe, nunca existiu. Posso criar uma imensa fantasia ao redor de pessoas, de fatos, de coisas. Posso não olhar para frente com os olhos neutros e, assim, não conseguir mudar o que é preciso mudar. Posso olhar para trás com dor, achando que todo o mundo só queria me magoar.
Não, ninguém queria te magoar. As pessoas só estão também presas nas ilusões delas e, muitas vezes, carregam você para dentro da delas. É como a história das sereias, que encantam seus marinheiros com sua voz macia e suave. Vão seduzindo e os carregando para a morte. A morte da ilusão. O desabar dos prédios que criamos somente na nossa mente, na nossa fantasia.
Somos facilmente seduzíveis quando estamos nessa ilusão sobre a vida. Qualquer pessoa ou situação pode usar artimanhas e nos levar para onde precisa. Possivelmente para dentro das ilusões delas mesmas. E, um dia, você vê que não era bem assim. "Que o que foi prometido, ninguém prometeu", como diria Renato Russo. Você acreditou, viu, sentiu as coisas como queria. Sentiu o que queria, acreditou no que queria, foi feito de você o que você imaginava. E a realidade? Ficou lá, jogada às traças, perdida num monte de entulho, fingindo que não existia.
Sim, ela observa. A verdade te observa de soslaio, quieta e quase inerte de um canto, só esperando o momento certo de agir, o momento certo de aparecer. Você sente essa ameaça o tempo todo, mas não sabe de onde vem e nem o que fazer e aí, pronto. Já foi. Ela passa violenta por você.
Ainda estou me recuperando. Estou muito melhor, é verdade, mas sinto ainda uma profunda tristeza. Estou me deixando ser e estar triste, não estou mascarando, novamente, a tristeza. Não quero mais esconder meu rosto neste grande baile de máscaras que é a vida. Mas sei que muitas coisas e pessoas ainda serão mascaradas. Só cabe a mim acreditar só em mim mesma, e na minha verdade. Posso ter parcerias, mas não dependencias. Posso ter amizades, mas nenhum parente, amigo, amor, nada é mais forte e mais importante do que eu mesma. Descobri a necessidade de um amor próprio muito maior do que eu vinha tendo até então.A minha verdadeira essência de Deus. E isso, meus amigos, é a cura na sua forma mais pura. A cura de (quase) todas as ilusões.
16 de jun. de 2012
Zona de conforto
“O preço do conforto é ser pequeno” – Barão de
Mauá
Quem é que não gosta de um bom sofá. Sabe? Um
sofá grande, confortável. Um sofá fofo, macio, quentinho nestes dias frios de
São Paulo? Que tal? E se, além do sofá, colocarmos uma pipoquinha? Ai, que
delícia, uma pipoquinha bem quentinha, com manteiga? Quem é que não
quer?
Pois é, todos nós sabemos o que é o conforto.
Todos nós sabemos o que nos faz ficar confortáveis e o que nos faz ficar
desconfortáveis. Muitas vezes, se sentir desconfortável com alguma coisa é pior
até do que ter dor. É pior do que uma série de situações ruins, porque, ai, sei
lá, incomoda uma coisa dentro da gente que a gente não sabe o que é. O
desconforto é, de fato, extremamente
desconfortável.
E aí você olha para a sua vida. Seu pequeno
sofá de vida, aquela zona de segurança onde você se encontra. Uma família, um
relacionamento, um emprego, não sei. Aquela coisa que há tempos não é boa, mas é
confortável. Aquela vida, vidinha, que faz com que você sinta que merece uma
caixa de cerveja no fim de cada dia. Que faz você pensar que não tem problema
arrumar só uma paquerinha fora do casamento. Aqueles pequenos pecados que, de
tão pequenos, passam despercebidos. Aquela tentativa da alma e do espírito em
mostra que não, as coisas não estão boas.
Mas estão confortáveis. E por confortáveis eu
digo, você conhece. Você não precisa pensar muito, você já sabe como lidar.
Pensa, se eu ficar bem quietinho e não responder, não arrumo confusão com meu
marido. Eu odeio fazer isso, mas, pelo menos, eu não preciso pensar que meu
casamento acabou faz tempo.
Ou, se eu fizer meu serviço aqui na firma
“médio”, ninguém me mandar embora e eu não preciso parar e pensar porque eu
queria ser agricultor e agora sou escriturário. E odeio. Mas pago as contas, com
dificuldade, não estou passando fome. Ai que lindo! Fique até comovida
agora.
A frase “o bom é inimigo do ótimo” é
extremamente verdadeira. E quer dizer isso mesmo que, muitas vezes, não queremos
sair da nossa zona de conforto. Ah, os amigos são pessoas ótimas, mas ir até lá?
Poxa, a fulana mora tão longe, tão distante! Não seria melhor ficar aqui, pedir
uma pizza? Vou ter que me arrumar pra ir pra festa? Ah, mas eu não tenho um
sapato. Vou ficar em casa.
E a vida passando lá fora. E a vida correndo,
até o dia em que você olha no espelho e pensa: quem é essa senhora? O que ela
fez da vida? Ela se divertiu? Ela dormiu pelada só pra refrescar, nadou num rio
que não conhecia a água? Ela tomou pelo menos um porre? Ela dançou agarradinha
até às cinco da manhã? Ela curtiu os filhos crescendo, os levou ao parque e pra se sujar na lama? Ela se sujou
de vida?
Ou ela ficou bem. Confortável, acompanhada de
uma TV a cabo eu um cálice de vinho barato (porque, né, não deu pra comprar um
melhorzinho). O que diabos você quer da sua
vida?
Outro dia eu ouvi a expressão: preguiça de
viver. A preguiça de viver é a irmã caçula da depressão. Você vai tendo preguiça
de fazer as coisas. Preguiça de vencer seus medos, preguiça de tentar. E um dia
você está tão instalado na sua zona de conforto que nem sabe mais quem você é. E
espero que, lendo este texto, talvez você identifique isso em uma ou duas áreas
da sua vida. E pense que o tempo está passando e precisamos só ir em frente. Com
medo ou não. Com preguiça ou não. Precisamos buscar a nossa força, lá dentro e
ir atrás do que queremos. Porque somos muito, muito maiores do que imaginamos.
Temos muito mais talentos que nos fizeram acreditar nossos pais e professores.
Somos enormes, gigantes e perfeitos! Aos olhos do Universo. Aos olhos da criação
divina!
Então aproveite os seus potenciais, sejam eles
para o que forem. Um trabalho, um hobbie, um novo relacionamento? Afinal de
conta: do que você precisa?
15 de jun. de 2012
Clipe Marisa Monte
4 de jun. de 2012
Homenagem
Ela é tudo. E lá bem antes dos 30 anos ela já estava na capa da revists TIME (a Veja americana)! Fala sério, isso é que é nascer para brilhar!!! Parabéns!!!
1 de jun. de 2012
MDNA
E estreeou o show da Madonna, ontem a noite, em Tel Aviv. Ela prometeu reunir a nata das grifes internacionais e cumpriu o combinado! As fotos eu "roubei" do Petiscos.com, mas são da turnê com alguns modelitos básicos. Ela é a diva das divas e madrinha deste pequeno blog que vos fala (mesmo que ela nunca venha a saber disso)! rs
30 de mai. de 2012
Dica de diva: Papelaria chique!
Descobri nas minhas andanças na internet dia destes um site chamado Paperview, que faz papelaria fina e personalizada. Não preciso dizer que eu amei! Amo papel. Livros em papel, papel de carta, apesar de ser super antenada na modernidade, ainda guardo uma lembrança doce das minhas imensas coleções de papéis de carta (onde os da Polyanna eram disputados à tapa)! Então mandei fazer cartões de visita (calling cards) personalizados, sem nenhum dizer. Parei de me colocar rótulos, ah, sou eu, e só. Eu faço muitas coisas e faço bem. Sou terapeuta e consultora porque eu amo isso. Escrevo sim. Canto sim. Faço as coisas que eu gosto por profissão ou por hobby. Por que que eu preciso colocar um nome e uma justificativa no meu cartão? Se uma pessoa pegar o meu cartão e não se lembrar do meu nome, de primeira, quer dizer que meu trabalho nem foi assim tão bem feito, não é mesmo? Então investi e olha que lindo o resultado. O papel é perolado, ele brilha quando viramos, fiquei me achando...agora quero encomendar outros tipo de papelaria. Acho chique! Um mimo luxuoso por pouco!!
29 de mai. de 2012
28 de mai. de 2012
No meio do caminho...consciência 100%
Quando eu fiz o Leader Trainner, no ano 2000, eu aprendi um
pequeno verso que nunca saiu da minha cabeça. Vou reproduzi-lo abaixo (mais ou
menos, porque não encontrei o original), para explicar a razão do meu texto:
Caminho por uma rua,
lá existe um buraco, caio no buraco
Caminho novamente pela mesma rua, lá existe um buraco, caio novamente no buraco
Caminho novamente pela mesma rua, sei que lá existe um buraco, desvio do buraco
Caminho por outra rua
Caminho novamente pela mesma rua, lá existe um buraco, caio novamente no buraco
Caminho novamente pela mesma rua, sei que lá existe um buraco, desvio do buraco
Caminho por outra rua
Sim, a parte em que caímos no buraco pode ser maior. Bem
maior. Pode levar umas 20 páginas até aprendermos, primeiro a desviar do
buraco. E depois, só depois, andar por outra rua.
E não é que a vida é assim? Eu mesma me percebo caindo nos mesmos buracos de sempre. Na verdade, no meu caso é aquela coisa de se esquecer muito fácil de si mesmo, em detrimento do trabalho, da família, da casa. E quando você percebe, já fez de novo.
Existem pessoas que fazem isso no trabalho, com os relacionamentos, com as amizades. Quando percebe, ops, fiz de novo. E aí a culpa que se acumula, a frustação, o medo de fazer errado de novo, fica quase insuportável.
E não é que a vida é assim? Eu mesma me percebo caindo nos mesmos buracos de sempre. Na verdade, no meu caso é aquela coisa de se esquecer muito fácil de si mesmo, em detrimento do trabalho, da família, da casa. E quando você percebe, já fez de novo.
Existem pessoas que fazem isso no trabalho, com os relacionamentos, com as amizades. Quando percebe, ops, fiz de novo. E aí a culpa que se acumula, a frustação, o medo de fazer errado de novo, fica quase insuportável.
Mas por que fazemos isso? Por que é tão difícil de
enxergamos o buraco ou vermos que estamos de novo na mesma rua? Pelas coisas
que nos cegam, o ego aterrador e ameaçador que vive te cegando e causando o que
chamamos de auto-sabotagem.
E o que é auto-sabotagem? É saber que existe um buraco
naquela rua, mas mesmo assim continuar andando. É saber que você está caminhando
rumo ao buraco que fica cada vez mais profundo, mas mesmo assim manter-se caminhando.
Talvez por achar que desta vez será diferente, ou por um otimismo quase
infantil de “essas coisas não acontecem comigo”.
O ego é o maior produtor de desculpas do mundo. Tudo pode
virar uma desculpa para não fazermos as mudanças necessárias. Para acharmos que
um dia, magicamente, o buraco foi tampado e que não cairemos mais nele. As
atitudes iguais causam, impreterivelmente, resultados iguais. Não interessa em
que área da sua vida você sempre faça isso, o resultado, mais cedo ou mais
tarde, será sempre o mesmo.
Fico nervosa quando vejo alguém perto de mim repetir isso. Mas
aprendi a me segurar e não ficar pulando com uma placa na frente da pessoa
escrito “perigo”. Não adianta! Sei que todo mundo tenta fazer isso com as
pessoas que amam. Um filho, um irmão, os pais. Fica lá tentando dar conselhos,
achando que conversar com o outro melhora, mas não adianta. Isso porque é muito
mais fácil enxergarmos quando o outro está indo pro buraco. Mas difícil quando
somos nós mesmos.
“Orai e vigiai” é exatamente isso. Vigiar seus atos,
conscientizar o que parece, naquele momento, uma bobagem. Aquele brigadeiro a
mais que o ego diz “ah, não vai te engordar”. Aquele “não” que você não diz e
que o ego fala “ah, mas é só desta vez”. Aquele defeito do outro que você finge
que não existe porque está louca para que “dê certo”. Aquela blusa comprada no
cartão em 12 vezes que você pensa “ah, são só 20 reais por mês”.
É por essas e outras que vamos, de novo, pela mesma rua. Por
não nos conscientizarmos dos pequenos detalhes, das pequenas escolhas que
fazemos no nosso dia a dia. Sim, porque a vida não é feita das grandes
escolhas, mas das pequenas. Cada pequena decisão errada está te levando, de
volta, para a mesma rua e para o mesmo buraco. Não é você meditar e chegar ao
nirvana e entender a humanidade e Deus, é você conseguir olhar pra uma pequena
árvore florida, numa luz de outono e ver
Deus ali. Ontem eu ouvi a expressão “Deus me estraga com mimos”. E é verdade. E
os mimos dele são maneiras de você perceber suas atitudes e muda-las ali, na
hora em que estão acontecendo.
Se você quer emagrecer, perceba cada pedaço de comida que
entra na sua boca. Consciência 100% nisso. Se você quer uma nova atitude de uma
pessoa próxima, conscientize-se de como você trata essa pessoa a si mesmo, 24
horas por dia. 7 dias por semana. Se você quer economizar, não é parando de
comprar Ferraris, mas sim parando com os gastos formiguinhas (uma balinha, uma
blusinha, um cafezinho). Se você quer mudar a sua vida, comece agora a praticar
a “consciência 100%” ! Tenho certeza de que, com tempo e paciência, você verá todos
os resultados que deseja, um por um, acontecerem na sua vida.
E eu, aqui, já comecei com os meus!
24 de mai. de 2012
A Busca da Alma
A
BUSCA DA ALMA
Ercilia
Zilli
Para falarmos sobre a busca da alma, partimos da premissa da sua
existência, conforme a entendemos na doutrina espírita, ou seja, na qualidade de
espírito, portador de uma consciência, em constante processo da ampliação.
Entendendo que na criação divina, tudo obedece a um propósito, a
existência da alma também tem um objetivo, que nos parece ser o da eterna busca
da evolução e a conquista do estado de perfeição.
Vamos usar o mito de Eros e Psique para refletirmos como essa busca
se realiza. Lembramos aqui, o conceito de Mircea Eliade, que nos diz que o mito
sempre conta uma história sagrada, portanto, de compreensão espiritual. O mito
representa, ainda, a forma como o homem de todos os tempos tenta entender os
fatos e a vida de uma perspectiva espiritual, buscando compreender como e porque
ocorrem.
Conta o mito que Eros, ou Cupido, deus do amor, era o mais belo entre
os deuses e representava a força fundamental do mundo. Era o intermediário entre
os deuses e os mortais, unia o todo a si mesmo e simbolizava a capacidade de
cooperar com os mortais dia e noite nas conquistas e no amor. Para a
psicanálise, Eros é o conjunto de tendências construtivas.
Psiquê era uma jovem que, apesar de linda, não conseguiu casar-se.
Seus pais buscaram o Oráculo, que os orientou a deixa-la no alto de uma
montanha, para que se casasse com uma serpente, a qual representa a psique
inferior, o psiquismo obscuro, o que é incompreensível e misterioso, a
fecundidade da mulher. Significa ainda, a cura, o terapeuta e o espírito, porém
no cristianismo, a serpente foi condenada a arrastar-se, tendo sua figura
associada ao pecado, em contraposição a todos os conceitos
anteriores.
Mesmo com medo, ela adormece e, tomada por Zéfiro, o Vento, é levada
para um rico e maravilhoso palácio. Depois de entrar na posse de tudo, vai
dormir e durante a noite recebe a visita de um ser masculino que a toma nos
braços carinhosamente. Ele volta todas as noites, mas adverte Psiquê de que ela
não deveria fazer nenhum esforço para vê-lo. Obediente, sente que gosta dele,
mas começa a ficar triste com a solidão de todos os dias e pede a essa criatura
que a deixe visitar os pais. Após muita insistência, ele
permite.
Quando volta para casa, as irmãs de Psiquê, sabendo de suas riquezas,
estranhando o fato dela nunca ter visto seu companheiro e tomadas de grande
inveja, sugerem que ele deve ser um monstro e a orientam a procurar um jeito de
ver quem ele é.
Ao retornar ao palácio, aproveita enquanto ele dorme e acende uma
lamparina. Vê que o seu amado é um lindo jovem. No entanto, deixa cair o óleo
quente sobre ele, queimando-o. Transtornado, ele vai embora, deixando Psiquê
desesperada.
Afrodite, a deusa da beleza, mãe de Eros, fica raivosa porque seu
filho a havia desobedecido para ficar com Psiquê, uma mortal, e esta ainda o
havia machucado. Psiquê procura a Beleza para saber como encontrar e ficar com o
Amor e Afrodite ordena que ela realize algumas tarefas, caso queira ficar com
Eros. Aflita, ela aceita.
Conforme a psicologia junguiana, o cumprimento dessas tarefas, está
associado ao processo de individuação feminina, ou o que este representa na
visão do homem integral, que associa a anima (feminino) e o animus
(masculino).
A primeira ação ordenada por Afrodite, a Beleza, na conquista de
Eros, o Amor, é separar, num curto período de tempo, uma grande quantidade de
grãos misturados de trigo, aveia, cevada, feijões e lentilhas. Quando Psiquê
imagina que não será capaz, surgem formigas que ajudam a cumprir a exigência de
Afrodite. Aqui, paramos mais um pouco para entender o que essa ordem representa.
Os grãos estão associados, desde todos os tempos, a alternância entre a vida e a
morte, da vida subterrânea à luz. Alguns ritos eram utilizados com o objetivo de
livrar a alma dessa alternância e fixa-la na luz. Quando vemos que o trigo está
associado à ressurreição, entendemos nessa alternância o conceito de
reencarnação.
Poderíamos estudar mais profundamente os símbolos dos outros grãos
citados no mito, mas já temos nesta altura do texto, uma visão do que a alma
procura na sua trajetória em busca da fixação na luz, no seu estado de
perfeição. Temos um apontamento bíblico que nos orienta nessa
compreensão:
“Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de
trigo que cai na terra não morrer, permanecerá só;
Mas se morrer, produzirá muito fruto”. João, 12:23
As formigas representam a atividade laboriosa e a vida organizada em
sociedade, que tem a previdência na sua estrutura. Significa também a energia
que circula nas entranhas da terra, prestes a manifestar-se como água ou
nascente. Segundo o Talmude, as formigas representam a honestidade. Logo, esse
processo de alternância significa a jornada da alma buscando a sua elevação e
integração com o amor através das reencarnações sucessivas, fazendo parte de uma
sociedade organizada e previdente, com a energia da honestidade e a pureza das
nascentes, das águas que representam a fluidez das emoções equilibradas.
Entendemos também, que a presença das formigas aponta que nunca estamos sozinhos
diante das nossas provas, mas sempre amparados.
A primeira tarefa mostra a necessidade de morrer e renascer para, um
dia chegar à Luz. Surge o conceito de organização e de uma sociedade
solidária.
Psiquê volta à presença de Afrodite, que ainda insatisfeita, exige
mais uma tarefa. Quer um pouco de lã dourada proveniente de umas ovelhas muito
bravas. Mais uma vez aflita, recebe a orientação de um junco que a orienta a
esperar o momento do descanso das ovelhas para não ser atacada. A ovelha, da
mesma forma que o carneiro e o cordeiro, tem a sua imagem associada ao instinto,
à ação, à força genésica. Ela afugenta feras, protege rebanhos e educa pastores.
É a sublimação do instinto, do amor que se oferece à morte para a salvação dos
pecadores, conforme vemos na doutrina católica. Como pecado, etimologicamente,
significa ignorância, entendemos que pecadores são aqueles que desconhecem a Lei
Divina.
O ouro é o símbolo do conhecimento, da imortalidade, da perfeição, da
fecundidade, riqueza, dominação, além de ser uma arma de luz. O junco, o que
aconselha, é aquele que se verga mas não se quebra, que aprendeu a observar e a
esperar o momento oportuno. Aqui, Psiquê aprende a buscar o conhecimento, a
noção de imortalidade e o poder da luz, a ter paciência, para que, com seus
instintos sublimados, não seja apenas uma fera a ser afugentada, mas entenda que
a doação e a busca do conhecimento a fortalecerão na conquista do Amor. E, mais
uma vez, a ajuda está ao lado dela. Aprende ainda, que no processo evolutivo,
muitas vezes terá que se vergar e que sua força consiste em nunca se quebrar ou
deixar-se abater pela magnitude dos obstáculos à sua frente.
Volta a Afrodite, mas ainda não é suficiente e a terceira tarefa
consiste em buscar um jarro de água de uma montanha muito alta que é guardada
por um dragão. Diante do desespero de Psiquê, surge uma águia que a ajuda,
enchendo a jarra com a água pedida.
A águia é um símbolo muito antigo e o coletivo do Pai e de todas as
figuras ligadas à paternidade, de força, coragem e clarividência. É a rainha das
aves, representando os estados espirituais superiores. É a mensagem do Alto,
acima das contingências humanas. Como todo símbolo, tem o seu lado a ser
desenvolvido e neste caso, pode representar o desejo de poder inflexível e
devorador.
A montanha surge como a busca de elevação espiritual, da pureza, da
segurança e da transcendência. É o centro e o eixo do mundo, a terra que se
eleva ao céu e a morada de seres celestiais. Lembremo-nos de que Moisés recebeu
os Dez Mandamentos numa montanha e, Jesus nos deixou os mais preciosos
ensinamentos no Sermão da Montanha. Apesar do dragão, em algumas culturas, ser o
símbolo do mal, ele é o guardião dos tesouros ocultos da imortalidade.
Representa uma conquista difícil, pois é ambivalente. Se Psiquê não consegue
lidar com essa potência celeste, criadora e ordenadora, pode ter uma queda
dramática. No entanto, a águia surge para ajuda-la. O jarro, também usado como
urna funerária, representa a abundância e guarda a bebida da imortalidade. É a
fonte da vida física e intelectual e a volta às origens. A Alma aprende, na
terceira etapa a fazer escolhas cada vez mais complexas sobre o que significa o
verdadeiro encontro com o Amor. Deve elevar-se espiritualmente e alcançar o
estado de pureza, entendendo a magnificência do Pai Criador e Ordenador. Sua
relação com o Pai surge de maneira mais consistente e começa a ter mais
consciência de Sua atenção constante.
Mas, ainda assim, a Beleza não se contenta e ordena mais uma tarefa.
Quer que Psiquê, a Alma, desça ao mundo inferior, o Hades, e peça para Perséfone
um pouco da sua própria beleza, guardando-a numa caixa que não deveria ser
aberta.
Psiquê considera essa tarefa muito difícil e quer jogar-se de uma
torre para chegar ao Hades, mas uma torre a ensina como agir para evitar os
perigos da jornada. O Hades, também conhecido como inferno ou Plutão, é um reino
invisível e muito temido, dono das infinitas riquezas da terra, da produção
vegetal e mineral. É o rei do submundo, cruel e implacável. A caixa é o símbolo
do inconsciente e do corpo materno, separa do mundo o que é precioso, mas
implica sempre em risco.
A torre é um símbolo ascensional, a porta do céu e seu objetivo
é restabelecer o eixo primordial rompido e por ele, elevar-se a Deus. Uma parte
é subterrânea, outra é na superfície e, outra ainda, é no céu. Na parte superior
ficava um templo que representava a morada dos deuses. Além de representar as
etapas do crescimento espiritual, a torre aponta o passado, o presente e o
futuro da evolução. Psiquê não resiste e abre a caixa, caindo em sono
profundo. Para completar, exige que Psiquê desça às profundezas do conhecimento
da natureza humana para encontrar a beleza das grandes provas e do entendimento
de que, mesmo nos momentos de maior dificuldade, a Alma cresce e, em todas as
circunstâncias, encontra a proteção e a orientação apropriadas ao
momento.
Quando Psiquê adormece, Eros vai ao seu encontro e a reanima com um
beijo. Depois procura o grande deus Zeus e implora que acalme a sua mãe e
confirme o seu casamento com Psiquê, tornando-a imortal. O beijo surge como
símbolo de união e adesão mútua, de espírito a espírito. É associado ao beijo de
Deus. A boca é o ponto de saída, fonte do sopro e a encarnação entre o verbo e a
natureza humana, que está evoluindo. É a concórdia, a submissão, o respeito e o
verdadeiro amor.
A Alma para conseguir a fusão com o Amor, precisa vencer muitas
etapas.
Nesse processo, o entendimento sobre Eros, o Amor, amadurece e a sua
integração com Psiquê, a Alma, acontece amorosamente, alcançando o ápice da
evolução espiritual. Dessa fusão, surge o espírito adulto, consciente, cuidador,
forte, terno, generoso e portador de uma pureza que não se corrompe e que não se
destrói.
É o que imaginamos sobre o ensinamento de Jesus: “Eu e o Pai somos
um’.
Não temos a pretensão de esgotar todas as possibilidades do mito e,
tampouco, compreender todo o processo de evolução espiritual, mas apontar quanto
é grande o esforço para conquistarmos a beleza espiritual pura e fecunda e o
difícil caminho de voltarmos ao nosso ponto de origem na condição de filhos
responsáveis e capazes de entender as maravilhas da Criação Divina e das Leis de
Deus.
É uma volta às origens, como sinaliza a parábola do Filho Pródigo e
como assinala Jesus: “EU E O PAI SOMOS UM”.
Ercilia
Zilli - CRP n° 06/13.432-7
Psicóloga
Clínica, Mestre pelo Programa de Ciências da Religião – PUC, Pós-graduada em
Administração para Organizações do Terceiro Setor pela Fundação Getúlio Vargas,
Presidente da ABRAPE – Associação Brasileira de Psicólogos Espíritas, Membro da
Associação Americana de Aconselhamento (ACA, Membro da Associação dos Valores
Espirituais, Éticos e Religiosos em Aconselhamento (ASERVIC), Membro da
Associação Internacional dos Profissionais de Gerenciamento de Carreira (IACMP)
nos EUA, Apresentadora do programa “Novos Rumos” da ABRAPE, na Rede Boa Nova –
AM 1450. Autora do Livro “O Espírito em Terapia – Hereditariedade, Destino e
Fé”.
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