22 de jun. de 2012

Verdade x ilusão

"A dor aparece para quebrar a barreira das nossas ilusões" - Zibia Gasparetto

Temos medo da verdade. Apesar de sabermos que ela é sempre a melhor opção, que a ilusão sempre vai ferrar com a gente, ainda assim, morremos de medo da verdade. Arrume uma injeção, uma turbulência, uma dengue. Mas não me venha com essa tal de verdade colocando abaixo todas as ilusões que eu criei, às vezes durante anos e anos.
Uma noite destas eu tive um sonho. Eu estava na Coréia (estranho) em uns prédios altíssimos. Para vocês terem uma ideia era um prédio de 1.390 andares! E eu lá, na cobertura do prédio. De repente começou um vendaval, muito forte. Na verdade, pensando agora, nem parecia tão forte assim. Eu sabia que toda a minha família estava dentro do prédio. Os prédios (eram vários iguais, todos cheios de vidros) começaram a balançar também. Eu corri pelas escadas abaixo e consegui sair do prédio, assim como a minha família. Mas eles desabaram todos. No sonho eu me perguntava porque os construtores não tinham feito uma base melhor para os prédios .
Comparado à minha vida, tudo a ver. Há alguns meses (ou semanas, ou dias, não sei) descobri em mim uma verdade e, consequentemente, destrui uma imensa ilusão. Sim, destas grandes, de 1.390 andares, 20 torres, todas lindas, cheias de vidros emoldurados. Uma ilusão daquela que leva a sua vida para um buraco enorme e faz você repetir os padrões, repetir e repetir. E. vou falar, não está sendo nada fácil!
Ainda não posso dizer que me recuperei do tombo. Porque não é um tombo de uma coisa específica, foi uma ilusão generalizada, por assim dizer. Eu criei uma fantasia na minha mente, que possivelmente já nasci com ela, e acreditei nela por anos a fio. E, um dia, eu olhei e nada daquilo estava lá. Mas isso, só depois de levar muita, mas muita porrada.
E aí, sincronicidade ou não, chego na minha aula de espiritualidade semanal e qual e o tema? A verdade. Deixar o ego para lá e olhar para o real. Só aí é que eu vi o porquê disso ser tão díficil.
Dá depressão, credo. Sério. Dá uma tristeza tão profunda. Parece que é a última tristeza da sua vida. Acredito que o que eu achei na minha vida é um núcleo de várias coisas.E sim, eu pedi muito pela verdade. E ela apareceria, mais cedo ou mais tarde. Resisti à verdade, briguei com ela, xinguei, mas não teve jeito. A vida sempre ganha.
Sim, nós nos apegamos às ilusões. Nos apegamos porque elas são tão confortáveis, tão bonitas. Dentro da minha mente eu posso inventar o que eu quiser. Posso inventar que coisas que não são, agora são. Posso inventar que tudo o que me incomoda, na verdade, não existe, nunca existiu. Posso criar uma imensa fantasia ao redor de pessoas, de fatos, de coisas. Posso não olhar para frente com os olhos neutros e, assim, não conseguir mudar o que é preciso mudar. Posso olhar para trás com dor, achando que todo o mundo só queria me magoar.
Não, ninguém queria te magoar. As pessoas só estão também presas nas ilusões delas e, muitas vezes, carregam você para dentro da delas. É como a história das sereias, que encantam seus marinheiros com sua voz macia e suave. Vão seduzindo e os carregando para a morte. A morte da ilusão. O desabar dos prédios que criamos somente na nossa mente, na nossa fantasia.
Somos facilmente seduzíveis quando estamos nessa ilusão sobre a vida. Qualquer pessoa ou situação pode usar artimanhas e nos levar para onde precisa. Possivelmente para dentro das ilusões delas mesmas. E, um dia, você vê que não era bem assim. "Que o que foi prometido, ninguém prometeu", como diria Renato Russo. Você acreditou, viu, sentiu as coisas como queria. Sentiu o que queria, acreditou no que queria, foi feito de você o que você imaginava. E a realidade? Ficou lá, jogada às traças, perdida num monte de entulho, fingindo que não existia.
Sim, ela observa. A verdade te observa de soslaio, quieta e quase inerte de um canto, só esperando o momento certo de agir, o momento certo de aparecer. Você sente essa ameaça o tempo todo, mas não sabe de onde vem e nem o que fazer e aí, pronto. Já foi. Ela passa violenta por você.
Ainda estou me recuperando. Estou muito melhor, é verdade, mas sinto ainda uma profunda tristeza. Estou me deixando ser e estar triste, não estou mascarando, novamente, a tristeza. Não quero mais esconder meu rosto neste grande baile de máscaras que é a vida. Mas sei que muitas coisas e pessoas ainda serão mascaradas. Só cabe a mim acreditar só em mim mesma, e na minha verdade. Posso ter parcerias, mas não dependencias. Posso ter amizades, mas nenhum parente, amigo, amor, nada é mais forte e mais importante do que eu mesma. Descobri a necessidade de um amor próprio muito maior do que eu vinha tendo até então.A minha verdadeira essência de Deus. E isso, meus amigos, é a cura na sua forma mais pura. A cura de (quase) todas as ilusões.

16 de jun. de 2012

Zona de conforto

“O preço do conforto é ser pequeno” – Barão de Mauá

Quem é que não gosta de um bom sofá. Sabe? Um sofá grande, confortável. Um sofá fofo, macio, quentinho nestes dias frios de São Paulo? Que tal? E se, além do sofá, colocarmos uma pipoquinha? Ai, que delícia, uma pipoquinha bem quentinha, com manteiga? Quem é que não quer?
Pois é, todos nós sabemos o que é o conforto. Todos nós sabemos o que nos faz ficar confortáveis e o que nos faz ficar desconfortáveis. Muitas vezes, se sentir desconfortável com alguma coisa é pior até do que ter dor. É pior do que uma série de situações ruins, porque, ai, sei lá, incomoda uma coisa dentro da gente que a gente não sabe o que é. O desconforto é, de fato, extremamente desconfortável.
E aí você olha para a sua vida. Seu pequeno sofá de vida, aquela zona de segurança onde você se encontra. Uma família, um relacionamento, um emprego, não sei. Aquela coisa que há tempos não é boa, mas é confortável. Aquela vida, vidinha, que faz com que você sinta que merece uma caixa de cerveja no fim de cada dia. Que faz você pensar que não tem problema arrumar só uma paquerinha fora do casamento. Aqueles pequenos pecados que, de tão pequenos, passam despercebidos. Aquela tentativa da alma e do espírito em mostra que não, as coisas não estão boas.
Mas estão confortáveis. E por confortáveis eu digo, você conhece. Você não precisa pensar muito, você já sabe como lidar. Pensa, se eu ficar bem quietinho e não responder, não arrumo confusão com meu marido. Eu odeio fazer isso, mas, pelo menos, eu não preciso pensar que meu casamento acabou faz tempo.
Ou, se eu fizer meu serviço aqui na firma “médio”, ninguém me mandar embora e eu não preciso parar e pensar porque eu queria ser agricultor e agora sou escriturário. E odeio. Mas pago as contas, com dificuldade, não estou passando fome. Ai que lindo!  Fique até comovida agora.
A frase “o bom é inimigo do ótimo” é extremamente verdadeira. E quer dizer isso mesmo que, muitas vezes, não queremos sair da nossa zona de conforto. Ah, os amigos são pessoas ótimas, mas ir até lá? Poxa, a fulana mora tão longe, tão distante! Não seria melhor ficar aqui, pedir uma pizza? Vou ter que me arrumar pra ir pra festa? Ah, mas eu não tenho um sapato. Vou ficar em casa.
E a vida passando lá fora. E a vida correndo, até o dia em que você olha no espelho e pensa: quem é essa senhora? O que ela fez da vida? Ela se divertiu? Ela dormiu pelada só pra refrescar, nadou num rio que não conhecia a água? Ela tomou pelo menos um porre? Ela dançou agarradinha até às cinco da manhã? Ela curtiu os filhos crescendo, os levou  ao parque e pra se sujar na lama? Ela se sujou de vida?
Ou ela ficou bem. Confortável, acompanhada de uma TV a cabo eu um cálice de vinho barato (porque, né, não deu pra comprar um melhorzinho). O que diabos você quer da sua vida?
Outro dia eu ouvi a expressão: preguiça de viver. A preguiça de viver é a irmã caçula da depressão. Você vai tendo preguiça de fazer as coisas. Preguiça de vencer seus medos, preguiça de tentar. E um dia você está tão instalado na sua zona de conforto que nem sabe mais quem você é. E espero que, lendo este texto, talvez você identifique isso em uma ou duas áreas da sua vida. E pense que o tempo está passando e precisamos só ir em frente. Com medo ou não. Com preguiça ou não. Precisamos buscar a nossa força, lá dentro e ir atrás do que queremos. Porque somos muito, muito maiores do que imaginamos. Temos muito mais talentos que nos fizeram acreditar nossos pais e professores. Somos enormes, gigantes e perfeitos! Aos olhos do Universo. Aos olhos da criação divina!
Então aproveite os seus potenciais, sejam eles para o que forem. Um trabalho, um hobbie, um novo relacionamento? Afinal de conta: do que você precisa?

15 de jun. de 2012

Clipe Marisa Monte

É só assistir! Anderson Silva dançando...Marisa Monte cantando...a perfeição da arte, da sensualidade...perfeito!!!

4 de jun. de 2012

Homenagem

Ela é tudo. E lá bem antes dos 30 anos ela já estava na capa da revists TIME (a Veja americana)! Fala sério, isso é que é nascer para brilhar!!! Parabéns!!!

1 de jun. de 2012

MDNA

E estreeou o show da Madonna, ontem a noite, em Tel Aviv. Ela prometeu reunir a nata das grifes internacionais e cumpriu o combinado! As fotos eu "roubei" do Petiscos.com, mas são da turnê com alguns modelitos básicos. Ela é a diva das divas e madrinha deste pequeno blog que vos fala (mesmo que ela nunca venha a saber disso)! rs


30 de mai. de 2012

Dica de diva: Papelaria chique!

Descobri nas minhas andanças na internet dia destes um site chamado Paperview, que faz papelaria fina e personalizada. Não preciso dizer que eu amei! Amo papel. Livros em papel, papel de carta, apesar de ser super antenada na modernidade, ainda guardo uma lembrança doce das minhas imensas coleções de papéis de carta (onde os da Polyanna eram disputados à tapa)! Então mandei fazer cartões de visita (calling cards) personalizados, sem nenhum dizer. Parei de me colocar rótulos, ah, sou eu, e só. Eu faço muitas coisas e faço bem. Sou terapeuta e consultora porque eu amo isso. Escrevo sim. Canto sim. Faço as coisas que eu gosto por profissão ou por hobby. Por que que eu preciso colocar um nome e uma justificativa no meu cartão? Se uma pessoa pegar o meu cartão e não se lembrar do meu nome, de primeira, quer dizer que meu trabalho nem foi assim tão bem feito, não é mesmo? Então investi e olha que lindo o resultado. O papel é perolado, ele brilha quando viramos, fiquei me achando...agora quero encomendar outros tipo de papelaria. Acho chique! Um mimo luxuoso por pouco!!

28 de mai. de 2012

No meio do caminho...consciência 100%



Quando eu fiz o Leader Trainner, no ano 2000, eu aprendi um pequeno verso que nunca saiu da minha cabeça. Vou reproduzi-lo abaixo (mais ou menos, porque não encontrei o original), para explicar a razão do meu texto:
Caminho por uma rua, lá existe um buraco, caio no buraco
Caminho novamente pela mesma rua, lá existe um buraco, caio novamente no buraco
Caminho novamente pela mesma rua, sei que lá existe um buraco, desvio do buraco
Caminho por outra rua
Sim, a parte em que caímos no buraco pode ser maior. Bem maior. Pode levar umas 20 páginas até aprendermos, primeiro a desviar do buraco. E depois, só depois, andar por outra rua.
E não é que a vida é assim? Eu mesma me percebo caindo nos mesmos buracos de sempre. Na verdade, no meu caso é aquela coisa de se esquecer muito fácil de si mesmo, em detrimento do trabalho, da família, da casa. E quando você percebe, já fez de novo.
Existem pessoas que fazem isso no trabalho, com os relacionamentos, com as amizades. Quando percebe, ops,  fiz de novo. E aí a culpa que se acumula, a frustação, o medo de fazer errado de novo, fica quase insuportável.
Mas por que fazemos isso? Por que é tão difícil de enxergamos o buraco ou vermos que estamos de novo na mesma rua? Pelas coisas que nos cegam, o ego aterrador e ameaçador que vive te cegando e causando o que chamamos de auto-sabotagem.
E o que é auto-sabotagem? É saber que existe um buraco naquela rua, mas mesmo assim continuar andando. É saber que você está caminhando rumo ao buraco que fica cada vez mais profundo, mas mesmo assim manter-se caminhando. Talvez por achar que desta vez será diferente, ou por um otimismo quase infantil de “essas coisas não acontecem comigo”.
O ego é o maior produtor de desculpas do mundo. Tudo pode virar uma desculpa para não fazermos as mudanças necessárias. Para acharmos que um dia, magicamente, o buraco foi tampado e que não cairemos mais nele. As atitudes iguais causam, impreterivelmente, resultados iguais. Não interessa em que área da sua vida você sempre faça isso, o resultado, mais cedo ou mais tarde, será sempre o mesmo.
Fico nervosa quando vejo alguém perto de mim repetir isso. Mas aprendi a me segurar e não ficar pulando com uma placa na frente da pessoa escrito “perigo”. Não adianta! Sei que todo mundo tenta fazer isso com as pessoas que amam. Um filho, um irmão, os pais. Fica lá tentando dar conselhos, achando que conversar com o outro melhora, mas não adianta. Isso porque é muito mais fácil enxergarmos quando o outro está indo pro buraco. Mas difícil quando somos nós mesmos.
“Orai e vigiai” é exatamente isso. Vigiar seus atos, conscientizar o que parece, naquele momento, uma bobagem. Aquele brigadeiro a mais que o ego diz “ah, não vai te engordar”. Aquele “não” que você não diz e que o ego fala “ah, mas é só desta vez”. Aquele defeito do outro que você finge que não existe porque está louca para que “dê certo”. Aquela blusa comprada no cartão em 12 vezes que você pensa “ah, são só 20 reais por mês”.
É por essas e outras que vamos, de novo, pela mesma rua. Por não nos conscientizarmos dos pequenos detalhes, das pequenas escolhas que fazemos no nosso dia a dia. Sim, porque a vida não é feita das grandes escolhas, mas das pequenas. Cada pequena decisão errada está te levando, de volta, para a mesma rua e para o mesmo buraco. Não é você meditar e chegar ao nirvana e entender a humanidade e Deus, é você conseguir olhar pra uma pequena árvore florida, numa luz de outono  e ver Deus ali. Ontem eu ouvi a expressão “Deus me estraga com mimos”. E é verdade. E os mimos dele são maneiras de você perceber suas atitudes e muda-las ali, na hora em que estão acontecendo.
Se você quer emagrecer, perceba cada pedaço de comida que entra na sua boca. Consciência 100% nisso. Se você quer uma nova atitude de uma pessoa próxima, conscientize-se de como você trata essa pessoa a si mesmo, 24 horas por dia. 7 dias por semana. Se você quer economizar, não é parando de comprar Ferraris, mas sim parando com os gastos formiguinhas (uma balinha, uma blusinha, um cafezinho). Se você quer mudar a sua vida, comece agora a praticar a “consciência 100%” ! Tenho certeza de que, com tempo e paciência, você verá todos os resultados que deseja, um por um, acontecerem na sua vida.
E eu, aqui, já comecei com os meus!


24 de mai. de 2012

A Busca da Alma

A BUSCA DA ALMA

                                                                                                    Ercilia Zilli




Para falarmos sobre a busca da alma, partimos da premissa da sua existência, conforme a entendemos na doutrina espírita, ou seja, na qualidade de espírito, portador de uma consciência, em constante processo da ampliação.

Entendendo que na criação divina, tudo obedece a um propósito, a existência da alma também tem um objetivo, que nos parece ser o da eterna busca da evolução e a conquista do estado de perfeição.

Vamos usar o mito de Eros e Psique para refletirmos como essa busca se realiza. Lembramos aqui, o conceito de Mircea Eliade, que nos diz que o mito sempre conta uma história sagrada, portanto, de compreensão espiritual. O mito representa, ainda, a forma como o homem de todos os tempos tenta entender os fatos e a vida de uma perspectiva espiritual, buscando compreender como e porque ocorrem.

Conta o mito que Eros, ou Cupido, deus do amor, era o mais belo entre os deuses e representava a força fundamental do mundo. Era o intermediário entre os deuses e os mortais, unia o todo a si mesmo e simbolizava a capacidade de cooperar com os mortais dia e noite nas conquistas e no amor. Para a psicanálise, Eros é o conjunto de tendências construtivas.

Psiquê era uma jovem que, apesar de linda, não conseguiu casar-se. Seus pais buscaram o Oráculo, que os orientou a deixa-la no alto de uma montanha, para que se casasse com uma serpente, a qual representa a psique inferior, o psiquismo obscuro, o que é incompreensível e misterioso, a fecundidade da mulher. Significa ainda, a cura, o terapeuta e o espírito, porém no cristianismo, a serpente foi condenada a arrastar-se, tendo sua figura associada ao pecado, em contraposição a todos os conceitos anteriores.

Mesmo com medo, ela adormece e, tomada por Zéfiro, o Vento, é levada para um rico e maravilhoso palácio. Depois de entrar na posse de tudo, vai dormir e durante a noite recebe a visita de um ser masculino que a toma nos braços carinhosamente. Ele volta todas as noites, mas adverte Psiquê de que ela não deveria fazer nenhum esforço para vê-lo. Obediente, sente que gosta dele, mas começa a ficar triste com a solidão de todos os dias e pede a essa criatura que a deixe visitar os pais. Após muita insistência, ele permite.

Quando volta para casa, as irmãs de Psiquê, sabendo de suas riquezas, estranhando o fato dela nunca ter visto seu companheiro e tomadas de grande inveja, sugerem que ele deve ser um monstro e a orientam a procurar um jeito de ver quem ele é.

Ao retornar ao palácio, aproveita enquanto ele dorme e acende uma lamparina. Vê que o seu amado é um lindo jovem. No entanto, deixa cair o óleo quente sobre ele, queimando-o. Transtornado, ele vai embora, deixando Psiquê desesperada.

Afrodite, a deusa da beleza, mãe de Eros, fica raivosa porque seu filho a havia desobedecido para ficar com Psiquê, uma mortal, e esta ainda o havia machucado. Psiquê procura a Beleza para saber como encontrar e ficar com o Amor e Afrodite ordena que ela realize algumas tarefas, caso queira ficar com Eros. Aflita, ela aceita.

Conforme a psicologia junguiana, o cumprimento dessas tarefas, está associado ao processo de individuação feminina, ou o que este representa na visão do homem integral, que associa a anima (feminino) e o animus (masculino).

A primeira ação ordenada por Afrodite, a Beleza, na conquista de Eros, o Amor, é separar, num curto período de tempo, uma grande quantidade de grãos misturados de trigo, aveia, cevada, feijões e lentilhas. Quando Psiquê imagina que não será capaz, surgem formigas que ajudam a cumprir a exigência de Afrodite. Aqui, paramos mais um pouco para entender o que essa ordem representa. Os grãos estão associados, desde todos os tempos, a alternância entre a vida e a morte, da vida subterrânea à luz. Alguns ritos eram utilizados com o objetivo de livrar a alma dessa alternância e fixa-la na luz. Quando vemos que o trigo está associado à ressurreição, entendemos nessa alternância o conceito de reencarnação. 

Poderíamos estudar mais profundamente os símbolos dos outros grãos citados no mito, mas já temos nesta altura do texto, uma visão do que a alma procura na sua trajetória em busca da fixação na luz, no seu estado de perfeição. Temos um apontamento bíblico que nos orienta nessa compreensão:
“Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de
trigo que cai na terra não morrer, permanecerá só;
Mas se morrer, produzirá muito fruto”. João, 12:23

As formigas representam a atividade laboriosa e a vida organizada em sociedade, que tem a previdência na sua estrutura. Significa também a energia que circula nas entranhas da terra, prestes a manifestar-se como água ou nascente. Segundo o Talmude, as formigas representam a honestidade. Logo, esse processo de alternância significa a jornada da alma buscando a sua elevação e integração com o amor através das reencarnações sucessivas, fazendo parte de uma sociedade organizada e previdente, com a energia da honestidade e a pureza das nascentes, das águas que representam a fluidez das emoções equilibradas. Entendemos também, que a presença das formigas aponta que nunca estamos sozinhos diante das nossas provas, mas sempre amparados.

A primeira tarefa mostra a necessidade de morrer e renascer para, um dia chegar à Luz. Surge o conceito de organização e de uma sociedade solidária.

Psiquê volta à presença de Afrodite, que ainda insatisfeita, exige mais uma tarefa. Quer um pouco de lã dourada proveniente de umas ovelhas muito bravas. Mais uma vez aflita, recebe a orientação de um junco que a orienta a esperar o momento do descanso das ovelhas para não ser atacada. A ovelha, da mesma forma que o carneiro e o cordeiro, tem a sua imagem associada ao instinto, à ação, à força genésica. Ela afugenta feras, protege rebanhos e educa pastores. É a sublimação do instinto, do amor que se oferece à morte para a salvação dos pecadores, conforme vemos na doutrina católica. Como pecado, etimologicamente, significa ignorância, entendemos que pecadores são aqueles que desconhecem a Lei Divina.

O ouro é o símbolo do conhecimento, da imortalidade, da perfeição, da fecundidade, riqueza, dominação, além de ser uma arma de luz. O junco, o que aconselha, é aquele que se verga mas não se quebra, que aprendeu a observar e a esperar o momento oportuno. Aqui, Psiquê aprende a buscar o conhecimento, a noção de imortalidade e o poder da luz, a ter paciência, para que, com seus instintos sublimados, não seja apenas uma fera a ser afugentada, mas entenda que a doação e a busca do conhecimento a fortalecerão na conquista do Amor. E, mais uma vez, a ajuda está ao lado dela. Aprende ainda, que no processo evolutivo, muitas vezes terá que se vergar e que sua força consiste em nunca se quebrar ou deixar-se abater pela magnitude dos obstáculos à sua frente.

Volta a Afrodite, mas ainda não é suficiente e a terceira tarefa consiste em buscar um jarro de água de uma montanha muito alta que é guardada por um dragão. Diante do desespero de Psiquê, surge uma águia que a ajuda, enchendo a jarra com a água pedida.

A águia é um símbolo muito antigo e o coletivo do Pai e de todas as figuras ligadas à paternidade, de força, coragem e clarividência. É a rainha das aves, representando os estados espirituais superiores. É a mensagem do Alto, acima das contingências humanas. Como todo símbolo, tem o seu lado a ser desenvolvido e neste caso, pode representar o desejo de poder inflexível e devorador.

A montanha surge como a busca de elevação espiritual, da pureza, da segurança e da transcendência. É o centro e o eixo do mundo, a terra que se eleva ao céu e a morada de seres celestiais. Lembremo-nos de que Moisés recebeu os Dez Mandamentos numa montanha e, Jesus nos deixou os mais preciosos ensinamentos no Sermão da Montanha. Apesar do dragão, em algumas culturas, ser o símbolo do mal, ele é o guardião dos tesouros ocultos da imortalidade. Representa uma conquista difícil, pois é ambivalente. Se Psiquê não consegue lidar com essa potência celeste, criadora e ordenadora, pode ter uma queda dramática. No entanto, a águia surge para ajuda-la. O jarro, também usado como urna funerária, representa a abundância e guarda a bebida da imortalidade. É a fonte da vida física e intelectual e a volta às origens. A Alma aprende, na terceira etapa a fazer escolhas cada vez mais complexas sobre o que significa o verdadeiro encontro com o Amor. Deve elevar-se espiritualmente e alcançar o estado de pureza, entendendo a magnificência do Pai Criador e Ordenador. Sua relação com o Pai surge de maneira mais consistente e começa a ter mais consciência de Sua atenção constante.

Mas, ainda assim, a Beleza não se contenta e ordena mais uma tarefa. Quer que Psiquê, a Alma, desça ao mundo inferior, o Hades, e peça para Perséfone um pouco da sua própria beleza, guardando-a numa caixa que não deveria ser aberta.

Psiquê considera essa tarefa muito difícil e quer jogar-se de uma torre para chegar ao Hades, mas uma torre a ensina como agir para evitar os perigos da jornada. O Hades, também conhecido como inferno ou Plutão, é um reino invisível e muito temido, dono das infinitas riquezas da terra, da produção vegetal e mineral. É o rei do submundo, cruel e implacável. A caixa é o símbolo do inconsciente e do corpo materno, separa do mundo o que é precioso, mas implica sempre em risco. A torre é um símbolo ascensional, a porta do céu e seu objetivo é restabelecer o eixo primordial rompido e por ele, elevar-se a Deus. Uma parte é subterrânea, outra é na superfície e, outra ainda, é no céu. Na parte superior ficava um templo que representava a morada dos deuses. Além de representar as etapas do crescimento espiritual, a torre aponta o passado, o presente e o futuro da evolução. Psiquê não resiste e abre a caixa, caindo em sono profundo. Para completar, exige que Psiquê desça às profundezas do conhecimento da natureza humana para encontrar a beleza das grandes provas e do entendimento de que, mesmo nos momentos de maior dificuldade, a Alma cresce e, em todas as circunstâncias, encontra a proteção e a orientação apropriadas ao momento.

Quando Psiquê adormece, Eros vai ao seu encontro e a reanima com um beijo. Depois procura o grande deus Zeus e implora que acalme a sua mãe e confirme o seu casamento com Psiquê, tornando-a imortal. O beijo surge como símbolo de união e adesão mútua, de espírito a espírito. É associado ao beijo de Deus. A boca é o ponto de saída, fonte do sopro e a encarnação entre o verbo e a natureza humana, que está evoluindo. É a concórdia, a submissão, o respeito e o verdadeiro amor.

A Alma para conseguir a fusão com o Amor, precisa vencer muitas etapas.

Nesse processo, o entendimento sobre Eros, o Amor, amadurece e a sua integração com Psiquê, a Alma, acontece amorosamente, alcançando o ápice da evolução espiritual. Dessa fusão, surge o espírito adulto, consciente, cuidador, forte, terno, generoso e portador de uma pureza que não se corrompe e que não se destrói.

É o que imaginamos sobre o ensinamento de Jesus: “Eu e o Pai somos um’.

Não temos a pretensão de esgotar todas as possibilidades do mito e, tampouco, compreender todo o processo de evolução espiritual, mas apontar quanto é grande o esforço para conquistarmos a beleza espiritual pura e fecunda e o difícil caminho de voltarmos ao nosso ponto de origem na condição de filhos responsáveis e capazes de entender as maravilhas da Criação Divina e das Leis de Deus.
É uma volta às origens, como sinaliza a parábola do Filho Pródigo e como assinala Jesus: “EU E O PAI SOMOS UM”.

                                    
Ercilia Zilli - CRP n° 06/13.432-7

Psicóloga Clínica, Mestre pelo Programa de Ciências da Religião – PUC, Pós-graduada em Administração para Organizações do Terceiro Setor pela Fundação Getúlio Vargas, Presidente da ABRAPE – Associação Brasileira de Psicólogos Espíritas, Membro da Associação Americana de Aconselhamento (ACA, Membro da Associação dos Valores Espirituais, Éticos e Religiosos em Aconselhamento (ASERVIC), Membro da Associação Internacional dos Profissionais de Gerenciamento de Carreira (IACMP) nos EUA, Apresentadora do programa “Novos Rumos” da ABRAPE, na Rede Boa Nova – AM 1450. Autora do Livro “O Espírito em Terapia – Hereditariedade, Destino e Fé”.

23 de mai. de 2012

Esmalte do dia e presente especial

 Esmalte da semana: Ouro nobre da Impala! Fica bem bonito, tipo mão de rica!!



Ganhei este presente da minha irmã, Luciana!!! Achei a coisa mais lindo do mundo! É uma edição especial de Dia dos Namorados da Havaianas!!!!